Assimetria no design de interiores : sala de jantar

Será que conseguem perceber a assimetria no design de interiores da sala de jantar da casa no Brooklyn de Athena Calderone ?

Se olharmos com atenção a mesa não está centralizada no aparador, nem a tela do artista Ethan Cook está centralizada em relação ao aparador.  Mas, nem por isto o ambiente se tornou menos aprazível ou causa algum tipo de “estranhamento” ao olhar.

Outro ponto forte do design interiores desta sala de jantar são as peças que a compõe, a mesa e as cadeiras já pertenciam a proprietária, o pendente foi um grande achado em um flea market em Paris, sim um Paul Henmingsen de 1960, e a arte contemporânea de Ethan Cook.

Esta cena traduz muito do que o Atrás da Cena propõe, os ambientes de uma casa são elaborados com histórias, uma peça de um artista que admira, um móvel de família ou que tem há tempos , somados a itens que adquire quando bate aquele sentimento e se diz: achei, é meu!

 Foto via @eyeswoon

MÓVEIS

Geralmente falo primeiro das cores e materiais que são predominantes e que compõe a cena.

Nesta, porém,  em particular, vou falar da distribuição e escolha das peças de mobiliário e objetos pois acho que ao mencionar isto a paleta de cores ja estará intrínseca.

Como mencionei no comecinho do post, a assimetria no design de interiores desta sala de jantar pode até no primeiro olhar passar despercebida, mas exatamente porque ela foi assumida como tal.

Explico. Muitas vezes nao conseguimos distribuir no ambiente todos as pecas do mobiliário igualmente: mesa x buffet x largura do ambiente.

Aqui foi um destes casos. A mesa não se encontra no eixo do buffet e nem mesmo da largura da sala. A arquiteta tomou partido disto e aproveitou para deixar a obra de arte sobre o móvel deslocada.

Ou seja, tomou-se partido da assimetria ja existente para brincar com a distribuição dos objetos e assim tratar o que poderia ser um “problema” em uma vantagem e algo diferente do usual e certinho.

Cadeiras : 1. Whist Bone – Hanz Wegner l 2. GB 01 – Geraldo de Barros – Dpot

 Aparadores : 1. Muxarabi – Alfio Lizi – Dpot l 2. CMS 2005 – Claudia Moreira Sales – Etel Interiores

ARTE

A tela foi colocada sobre o aparador de maneira deslocada, não centralizada.

A obra é o do artista Ethan Cook e ao se olhar de longe pode-se pensar que é pintura. Na verdade é tecido de algodão tingido que o artista usa e faz com que a própria base da tela é a obra de arte.

As emendas das cores não são retas de maneira proposital, não é sua intenção forçar o curso/margem das emendas e sim deixá-las livremente formar as linhas que dividem uma cor da outra.

Já suas cores parecem ter a mesma paleta de tons da madeira do aparador e das cadeiras e mesas. Se a obra veio antes ou depois, não interessa muito. O que vale é perceber que mesmo fora do eixo ela parece querer favorecer e valorizar a assimetria da sala.

Obras de arte : 1. Air – Antonio Dias l 2. Tomie Ohtake – ambos da Galeria Nara Rosler

OBJETOS

Os vasos de cerâmica sobre o aparador são altos e, visualmente falando, equilibram o vazio que a tela deixou `a direita.

Para nao fugir dos tons predominantes do ambiente, eles são em um acobreado manchado, mais para um amarelo queimado, parecem querer ter a mesma cor dourada do aparador e assim não chamar muita atenção.

Vasos (sentido horário) : 1. Konsepta Design – Casa Bravo l 2 e 3. Kimi Nii l 4. Domingos Tótora – Dpot Objetos

Interessante ver que a assimetria no design de interiores desta sala de jantar foi valorizada e que ao mesmo tempo as peças de arte tentam de certa forma equilibrar todo o conjunto formado pela mesa, cadeiras e aparador.

Não é sempre que irá se ter um ambiente que proporcione uma completa simetria na distribuição dos móveis. Isto as vezes causa estranhamento para alguns, mas a assimetria não é sinônimo de desconforto nem fisico e nem visual.

Aliás a assimetria no design de interiores pode ser um recurso para quebrar a monotonia e ela pode ser feita de várias formas, usando formatos de móveis mais livres e cores.

Nesa cena, apesar dos móveis não seguirem um eixo, a repetição da cores usadas (preto, creme, rose e acobreado/”dourado”) e maneira como foi distribuída entre objetos de arte e mobiliário , tentam de certa forma proporcionar a sensação  do equilíbrio e do conforto.

O importante é saber que independentemente do seu ambiente ser ou não simétrico , a opção de se querer um espaço mais , vamos dizer, certinho ou mais despojado é sempre sua. Com a ajuda de um profissional, sem dúvida , vocês poderão ter, através dos mais diversos artifícios, o visual que quiserem e mais gostarem para sua casa.

Vejo vocês na próxima cena. 😉

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