Atrás da cena da cozinha de um arquiteto

atras da cena

O que faz com que esta cozinha tenha uma atmosfera atraente ao olhar logo de prima vista? O que há atrás da cena da cozinha do apartamento em Paris do arquiteto Joseph Dirand?

Joseph é um arquiteto francês que deixa os próprios materiais e peças selecionadas contarem a sua história, ele segue uma linha mais minimalista porém vejo sua arquitetura como : minimalista mas com um “tom” a mais.

Como seria isto? Vou mostrar através de alguns elementos da sua cozinha.

MATERIAIS

Mármore na bancada e madeira no piso.

A bancada da cozinha é em mármore, um mármore bem claro com veios que formam arabescos (poderia ser o Arabesco Vagli) e para que nada mais chamasse muita atenção o mármore da bancada sobe a  parede e forma uma prateleira e nenhum armário superior. Atrás da cena, a prateleira apesar de não dar para ver pela foto, tem uma iluminação embutida para iluminar a area de trabalho, é o bonito aliado ao funcional, é o chique e simples.

Mas já devem ter pensado. Mármore na cozinha? Sim, porque não? Ele é um produto de alta resistencia e  fácil de limpar e se a ideia é ter uma cozinha que seja usada também para receber convidados e não seja usada como uma área de serviço apenas, o mármore trará sofisticação pelo seu desenho e irá dispensar maiores detalhes pois a característica do material ja falará por si só, sem precisar da ajuda de mais informações falando-se em detalhamento de desenho arquitetura de interiores.

O piso de madeira forma um desenho tipo “chevron” e provalmente é original do apartamento e sofreu uma restauração , o que é o melhor a se fazer quando se encontra acabamentos nobres e atemporais como este em imóveis mais antigos.

atras da cena

Materiais : Piso madeira l Torneira Mate Gold – Deca l Mármore – Arabescato Vagli – Galleria Della Pietra

MÓVEIS

Um sofá fixo, uma mesa redonda pequena e duas cadeiras ícones do designer Jean Prouve. Precisa de mais? Não mesmo. E Joseph brincou de forma que peças de mobiliário e itens da própria arquitetura de épocas tao distintas ficassem em a mais completa harmonia. Atrás da cena: cadeiras da época modernista, arquitetura do prédio provavelmente do final do século xix , marcenaria de armários originais do apartamento e marcenaria e metais contemporâneos. Esta mistura equilibrada e que foi muito bem escolhida é que na minha opinião faz do seu minimalismo não ser assim tao minimalista.

Cadeiras: 1. Standard SP – Jean Prouvé – Vitra l 2. MR – Knoll l 3. Hal Color Tube – Vitra

Mesa: 1. Prospect Table – Herman Miller l 2. Pixel – Knoll

ILUMINAÇÃO

Vou chamar atenção apenas para o pendente estrategicamente sobre a mesa e que apesar de ser branco o seu desenho faz dele uma peca bem especial. Este pendente tem desenho de autoria de Louis Weisdorf, designer dinamarquês cujas pecas de iluminação possuem formas que permitem que se brinque com orientação da luz, mudando-a de orientação e formando outros efeitos de luz, sombra e forma.

Pendentes: 1. Bossa – Lumini l 2. Lite – Louis Weisdorf  l 3. Annex – Serien Light – Fas Iluminaçao

ARTE E OBJETOS

A prateleira de mármore serve de não apenas para fazer o “fechamento” da composição da bancada mas também é util para apoiar utensílios de uso diário , coleção de vidros , livros e fotografia.

Mais uma vez o minimalismo do desenho da bancada da cozinha é “quebrado” pelos objetos e arte que sutilmente nos indica um pouco da personalidade de que mora neste lugar, de quem o usufrui e o tem como casa, no sentido mais amplo da palavra casa, o lugar que conta um pouco da nossa historia, gostos e prazeres, pelo menos é assim que vejo e oriento sempre para ser desta maneira . 😉

Sempre sugiro opções de arte, neste caso fotografia, mas não custa lembra novamente, que são orientações para passem a conhecer profissionais deste mundo tao vasto e que aos poucos vocês possam achar e se identifica com o trabalho de algum/alguns dele (s).

Para esta cena, eu teria uma foto de Mario Cravo Neto, por exemplo. Para quem ja o conhece o seu trabalho pode ate pensar: mas na cozinha? Sim! A cozinha ao longo do tempo foi deixando e ja deixou na minha opinião de ser uma area determinada para ser exclusivamente para cozinhar. Claro, é um espaço para elaborar refeições mas também é um espaço para ter amigos para um drink ou vinho e jogar conversa fora. Atrás da cena desta cozinha em particular, os materiais usados e mobiliário a fazem ser convidativa, acolhedora além de ser extramente refinada porém sem a minima  ‘frescura’ ( risos).

Arte: Fotografias Mário Cravo Neto

Para mim é um tanto quanto difícil projetar para mim mesma. E é verdade, tanto é que quando um arquiteto tem a liberdade de escolher o que quer e pode, claro, na vastidão de opções de acabamentos, móveis, arte, etc isto o deixa por vezes confuso, porém quando se tem uma linha de arquitetura que gosta e a usa nos trabalhos quase sem querer monta o seu perfil perfil e assim o desenrolar do projeto flui com facilidade.

Nao é fácil saber exatamente do que se gosta, muitas vezes a mídia nos influencia com o que chamam de “tendência” na decoração de interiores. Acredito na tendência do desenvolvimento de novos produtos, do seu uso em termos de inovação tecnológica e até mesmo em uma tendência de mudança de comportamento das pessoas. Apenas explico sempre que deve-se ter muito cuidado em uma certa moda nesta área ditada e firmada nas publicações digitais ou via revistas, mostras, etc.

Mencionei tudo isto para dizer que atrás da cena desta cozinha do arquiteto Joseph Dirand, considerando-se que é um projeto recente, é muito nítido que ele usou do seu próprio estilo de desenhar/arquitetar seus projetos. A cozinha tem sim um novo uso, isto chamaria de nova tendência de aproveitamento dos espaços, mas não que haja algo marcante, seja uma cor, material ou móvel, que marque o ano do projeto ou um pantone eleito pois usou mobiliário da década de 50, material nobre como mármore e a madeira e ainda tirou partido da arquitetura original do apartamento.

Busquem e identifiquem-se com as coisas que possam falar um pouco de si, há uma gama enorme de produtos  e referências e não saber o que fazer com tudo isto é muito normal.

Se quiserem me falem por aqui do que gostam, do que viram e assim podemos bater um papo e eu ajudo a montar o quebra-cabeça do seu ambiente. Que tal?

Grande abraço e até o próximo post!

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