Gio Ponti – um arquiteto, designer e artista para se apaixonar

Quando resolvi escrever sobre Gio Ponti um arquiteto italiano entusiasta da arquitetura, designer e artista, eu pensei primeiro em falar apenas sobre suas peças de design de móveis, mas me deparei com o projeto que desenvolveu para o Hotel Parco dei Principi em Sorrento, Italia e entrei na imensidão azul deste hotel que realmente me fez quase literalmente mergulhar no mar Tirreno, parte do mar Mediterrâneo na costa oeste italiana.

Acho até que o nome Gio Ponti – “Tutti Blu” – Tudo Azul deveria ser o nome deste post, pois este hotel parece ter sido pintado inteirinho de azul pela arte, pelo design e pela arquitetura deste arquiteto.

Vou portanto tirar proveito de uma parte da historia da arquitetura italiana da década de 60, mais particularmente do Hotel Parco dei Principi, para falar sobre Gio Ponti (1891-1979) um Milanês que além de arquiteto, era designer de móveis e objetos, artista e ainda fundador de uma das revistas mais renomadas e atuais de arquitetura, a Domus.

Para o projeto deste hotel ele desenvolveu alguns dos móveis e juntamente com a Ceramica D’Agostino, criou uma série de azulejos azul-e-branco  que foram usados nos quartos, juntamente com o lobby, a recepção, o bar e o  restaurante. Foram criados 30 desenhos onde a geometria e o design gráfico estão explícitos e possuem uma harmonia tal que não tem como não se surpreender com tamanha autenticidade e criatividade.

Ainda não visitei este hotel pessoalmente, mas eu imagino e vocês vão poder ver pelas imagens que toda a atmosfera do hotel é como se estivesse mesmo entrando bem fundo no azul do mar Mediterrâneo, dá até para sentir o cheiro da maresia e ouvir… “Nel blu, dipinto di blu / Felice di stare lassù”.

CORES

Azul, azul, azul e mais azuis! Com um pouco de branco aqui e acolá valorizando os azuis  nos contrastes do grafismo tão bem estudado das peças cerâmicas e no design autêntico dos móveis que também possuem tecidos azuis em algumas variações de tons.

Mas Gio Ponti nao colocou simplesmente a cor azul desproporcionalmente. Na foto de destaque, por exemplo, percebam que em uma área do hotel que poderia ser apenas uma passagem/corredor ele cria um lounge quase o usando como uma passarela ou cena de palco. O piso é azul e o mesmo tom vira para a parede ao fundo e no meio ele desenhou a passarela feita com os azulejos, cujo grafismo foi feito especialmente para o hotel. Na época foram desenvolvidos com a Cerâmica D’Agostino hoje Antiche Fornaci D’Agostino, Salerno, Italia.

Azul estoteante no grafismo da cerâmica, no piso, parede e poltronas

MATERIAIS

CERÂMICA

Como falei no inicio do post foram desenhados por Gio Ponti  30 desenhos para as cerâmicas usadas no projeto do hotel Hotel Parco dei Principi entre os anos 1960 e 1962 em Sorrento, Italia .

COnta-se que na época Gio Ponti gostava de ir até Salerno na ex-Ceramica D’Agostino que produziu as cerâmicas para o hotel, para estudar, renovar a linguagem da cerâmica e traduzir através dela com as cores e formas/grafismo a identidade do local criando assim as famosas cerâmicas “Blu Ponti”.

A empresa Ceramica Francesco De Maio adquiriu os direitos de reproduzi-las da Antiche Fornacei D’Agostino , ex-Ceramica D’Agostino e tem como propósito resgatar a originalidade da manufatura artesanal, as características regionais e o design “veramente Italiano”.

Vejam com mais detalhe nas fotos abaixo, o cuidado com as formas e as combinações na geometria, dos tons de azuis e o branco na composição, como mero coadjuvante, mas fundamental para valorizar os azuis nos desenhos das cerâmicas criadas.

Um dos desenhos da cerâmica e sua composição

Composição da cerâmica usada nos terraços

MÓVEIS

Vou direcione o olhar para duas poltronas que foram desenhadas pelo arquiteto e que ele as utilizou no hotel.

POLTRONA D.1531

A poltrona D. 153.1 foi projetada em 1934 e faz parte dos móveis da casa de Gio Ponti na Via Dezza, Milao, Itália. Atualmente é reproduzida pela Molteni & C com base nos desenhos originais de Ponti.

Gostaria que percebessem os detalhes da sua estrutura delgada em bronze e a brincadeira na capa em couro bicolor branco-azul. Apesar desta poltrona não ter sido desenhada exclusivamente para o hotel, Ponti soube usar as cores no estofado de forma que ela se integrasse perfeitamente na sua “tela” azul e branca.

Poltrona D.1531

POLTRONA 866

A Cassina, empresa fabricante de móveis italiana, foi responsável pela execução desta poltrona para o hotel.

Ja nesta Ponti usou apenas uma cor de tecida para toda poltrona, e claro, ela era azul e compunha espaços ‘lounge’ tanto com sofá tanto com mesa de centro também projetada pelo arquiteto. Vamos vê-las a seguir..

Poltrona 866

MESAS DE CENTRO

As mesas de centro que destacarei são duas:

A primeira foi desenha por Gio Ponti para Villa Arreaza, Caracas. Sua forma e estrutura de latão, e tampo de vidro com um jogo de quadrados no centro que com brinca com a geometria através da cintura de algumas faces (laterais) em um tom de azul bem pálido.

Composição de cerâmica usada no restaurante e mesa de centro Gio Ponti

Já esta possui toda a estrutura com desenho bem delgado feita de madeira e possui o tampo de vidro incolor que permite se vislumbrar todo o grafismo do piso através dele.

Composição de cerâmica usada no restaurante e mesa de centro Gio Ponti

Teriam muitos outros elementos para falar sobre o projeto e idealização arquitetônica  de Gio Ponti para o Hotel Parco dei Principi como, por exemplo, o revestimento cerâmico das paredes dos elevadores e do bar, o mobiliário dos quartos também desenhados por ele e ainda sobre uma composição de lajotas de cerâmicas dispostas em uma parede de um dos lounges. No livro e site do Hip Hotels há uma coletânea de fotos muito bem editas e diagramadas, vale a pena visitar e  conferir um pouco mais sobre este hotel que foi o primeiro hotel butique executado e um dos poucos da época que ainda está aberto.

A ideia deste post, assim como o que fiz sobre Lina Bo Bardi, foi tanto para introduzir um pouco sobre Gio Ponti um arquiteto realmente apaixonante e também para incetivá-los a ousar um pouco mais, a arriscar-se um pouco mais, experimentar e explorar tudo que uma atmosfera e um espaço arquitetônico pode nos proporcionar, quer sejam as emoções, as curiosidades quer seja até mesmo o despertar dos sentidos.

Mais do que tudo, como falei bem no comecinho do post, Gio Ponti era um arquiteto entusiasta, acreditava e fazia questão de passar e ensinar as pessoas, principalmente as que não eram arquitetas, a como apreciar arquitetura.

Ele escreveu, entre outros, o livro  “Amate L’Architettura” -1957, onde ele ensina a amar Arquitetura e com cujo pequeno trecho eu termino o post:

“Amate per il suo silenzio dove esta la sua voce, il suo canto, segreto e potente”

Un blu bacio a tutti 😉

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