Louvre Abu Dhabi – um projeto arquitetônico de Jean Nouvel

Eu resolvi fechar o ano de 2017 do  Atrás da Cena com um post para o Casos à Parte com o nada mais e nada menos do que o projeto arquitetônico  elaborado por Jean Nouvel para o primeiro museu universal árabe do mundo, o Louvre Abu Dhabi. Há um tempo não fazia um post para o Casos à Parte, o último foi Cores na Bedford Ave, Brooklin, NY e este farei um pouco diferente, vou  passear um pouco por este museu e tentar mostrar para vocês alguns detalhes e singularidades de uma instituição  que sem dúvida foi um dos maiores projetos de arquitetura concluído em 2017.

Neste post tive a colaboração de Sofia Cartaxo que gentilmente cedeu as fotos da sua visita ao museu e passou informações e impressões pessoais sob o olhar de visitante curiosa e apreciadora de arte, fotografia/ fine art .

Vamos, assim, observar um pouco o Louvre Abu  Dhabi cuja arquitetura  buscou referências na arquitetura árabe porém sem abrir mão da contemporaneidade e do uso de engenharia energética.

Fotografia: Sofia Cartaxo

O museu foi inaugurado em novembro de 2017, no Oriente Médio, depois de mais de dez anos após assinado o acordo entre França e Emirados Árabes Unidos e irá utilizar o nome musee du Louvre pelos próximos trinta anos como instituição independente.

No Louvre Abu Dhabi estão dispostas 300 obras de arte de treze instituições francesas incluindo o Musee d’Orsay e o Centre Pompidou. É possível ver peças como Monet’s La Gare Saint-Lazare, um auto retrato de Vicent Van Gogh , Lá Belle Ferronniére de Leonardo da Vinci, Edouard Manet com “The Gipsy” e Paul Cezanne com “The Red Rock”.

Uma das coisas que sem dúvida mais impressiona no museu em se falando de arquitetura é a imensa cúpula de 180 metros de diâmetro cuja treliça feita em aço inox permite que raios de luz atravessem e invadam o interior formando um jogo de reflexos nas paredes dos, vamos dizer assim, prédios brancos que possuem uma alusão às medinas. A itenção do arquiteto foi mesmo o de proporcionar durante o dia uma sombra, um refúgio  com o efeito de luz similar ao das palmeiras, e durante a noite a sensação de um céu estrelado, usando as palavras de Jean Novel “uma chuva de luz”.

Fotografia: Sofia Cartaxo

Mas além disto, o que Jean Nouvel mostra através da sua arquitetura e  o que a instituição Louvre Abu Dhabi trás de novo se falando de museu enquanto instituição?

Percebam que o museu esta inserido no mar, ele forma um arquipélago e pode-se chegar nele através da água ou da terra, ou seja, ele une dois elementos.

Já a maneira de apresentar as obras de arte lá expostas apresenta um novo contexto que visa quebrar as barreiras entre os museus tradicionais da cultura mundial. O museu organiza as exposições das obras de arte não por estilos ou civilizações, ele expõe de forma que o visitante perceba as similaridades que há entre os povos espalhados pelo mundo.

Por exemplo, em uma das 20 galerias, um retrato de uma senhora de Leonardo da Vinci do século 15 faz justaposição com azulejos com desenhos florais Iznik da Turquia.

Assim, a proposta do museu, além de tudo que sua arquitetura proporciona, é procurar deixar um enigma para o visitante, para que ele reflita sobre o significado da universalidade. Segundo  Jean-Francois Charnier, Diretor da Agência Museus-França e curador do museu em uma entrevista para a Telegraph: “tudo é feito para que o encontro entre o visitante e a arte se eleve à emoções e questionamentos.”

Fotografia: Sofia Cartaxo

Fotografia: Sofia Cartaxo

Apesar de não ter visitado pessoalmente o museu Louvre Abu Dhabi consigo imaginar através das imagens, das informações e impressões que Sofia passou da sua visita e das matérias de sites como Arcdhaily , o quanto de impacto cultural este museu causou e ainda vai causar ao propor uma nova maneira de expor arte e também de usar a arquitetura para contribuir para esta nova proposta.

Jean Nouvel e sua equipe desenvolveram o projeto para o museu Louvre Abu Dhabi sem deixar  de lado a região, suas referências arquitetônicas, culturais e de paisagem. A cúpula com  alusão a sombra das palmeiras e os prédios às medinas  são uma das provas do quanto o projeto arquitetônico  está inserido no contexto da cidade e da cultura do mundo árabe, ou seja, apesar da principal ideia ser de contribuir para que pensemos na diversidade dos povos e na universalidade,  o museu possui uma identidade própria e proporciona a quem o visita  experiências e sensações  distintas ao caminhar por entre suas galerias e se deparar com a brincadeira dos efeitos de luz através da grande estrela da cena que é a sua cúpula que plaina sobre o museu.

Posso ainda imaginar a grande surpresa e sensação  que deve ser ao se deparar com um museu dentro do mar!

Mas colocando de lado a minha imaginação e minha percepção de tudo que pude ver através de imagens e reportagens, deixo para Sofia que foi e visitou o museu revelar e resumir a cena do Louvre do oriente 😉 : ” Ao entrar no Louvre Abu Dhabi você se deslumbra com o encontro entre o contemporâneo e o antigo. Uma experiência de museu totalmente diferente do Louvre Paris. Há muita claridade e a impressão de estar em uma ilha, já que  é possível ver o mar por todos os lados, é simplesmente extasiante.”

Até 2018, com muito mais cenas!

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