Referência modernista no design de ambientes: Sala de jantar

FOTO : CAROLA RIPAMONTI

O uso de uma reverência modernista no design de ambientes contemporâneos pode ser feito de várias formas. Não quero dar uma aula sobre este movimento nem mesmo abordá-lo com um conteúdo vasto e, vamos dizer, acadêmico.

Vou  apenas descrever um pouco o que foi este movimento para que possa fazer mais sentido a relação que veremos entre o estilo e a cena do post.

O Modernismo surgiu no final do século XIX e começo do século XX. A sua  principal ideia era romper com as formas consideradas tradicionais no âmbitos da literatura, design, música e artes plásticas e na própria vida social para assim surgir uma nova cultura.

Na arquitetura suas características vem de diversas origens como da escola Bauhaus, dos arquitetos Le Corbusier e Frank Loyd Writhe e dos movimentos surgidos como o Arts and Crafts. Mas, a principal ideia era criar uma arquitetura completamente renovada e contrária da expressada no Ecletismo, criar uma arquitetura que quebrava as referências com a história.

Pode-se se tirar proveito deste movimento para fazer um design de interiores através das cores do estilo, das suas formas, das artes plásticas , do design de móveis, da arquitetura e da própria  arquitetura de interiores desenvolvida que rompia com os parâmetros antes seguidos.

E nesta sala de jantar vamos ver vários elementos que nos remetem a arquitetura moderna.

Vamos ver melhor a cena?

FOTO : CAROLA RIPAMONTI

CORES

A sala de jantar tem uma paleta de cores que remete aos tons usados pelo arquiteto Le Corbuisier, tons terrosos, alaranjados e contornos (detalhes) pretos.

Eu poderia até dizer que as cores e formas da tela de Mario Radice, importante pintor italiano  de arte abstrata, pode ter sido uma inspiração para a definição das cores.

Vejam como se repetem os  tons dos laranjas no estofado das cadeiras, no tom da madeira e as linhas pretas da tela na estrutura metálica aérea.

Uma paleta com uma analogia modernista que foi praticamente usada nas peças do mobiliário e objetos tendo como base o branco para realçá-las.

Mas, geralmente, no design de ambientes o mais comum é a obra de arte vir depois, porém gosto e mostro bastante aqui como é instigante, eu diria, fazer o inverso, a arte nos levar/inspirar a criar um espaço. Mas isto vamos falar em outro post em breve ou vejam no Fotografia como Inspiração .

MATERIAIS

Mais uma vez um elemento muito característico da década de 50 foi usado no piso, o granilite. Este acabamento que serve para piso mas também pode ser moldado ja foi mencionado algumas vezes aqui no blog.

A madeira dos móveis, aquecem o ambiente com seu tom alaranjado, entrando em contraste com o piso “frio” e assim equilibrando as sensações que os materiais proporcionam.

Em um ambiente com traços geométricos tão bem marcados e desenhados pela estrutura de ferro na cor preta, a madeira, de certa maneira, quebra a rigidez da forma da sala.

1.  Madeira Jacarandá de referência l 2. Granilite claro e escuro

MÓVEIS E OBJETOS

CADEIRAS

As cadeiras de desenho delgado, Superleggera do arquiteto Gio Ponti, tem sua estrutura na cor preta e parecem completar o desenho feito pelas barras metálicas que “voam” e adornam o espaço. Detalhe para o tecido que faz o seu assento na cor laranja vibrante, um toque a mais de ousadia eu diria.

Cadeiras: 1.  GS2 – Giuseppe Scapinelli – Etel Interiores l 2. Cadeira em jacarandá por Móveis Ambiente – Loja Teo l  3. GB01 Ripas – Geraldo de Barros – Dpot

MESA

Já a mesa de jantar possui uma madeira escura, mas que não deixa ter uma tonalidade mais avermelhada/alaranjada como, para dar um exemplo, a madeira jacarandá que, infelizmente, não a encontramos facilmente e foi muito utilizada tanto no móveis como em instrumentos musicas nas décadas de 50/60.

Mesas : 1.  Corcovado – Interni l 2. Forquilha – Etel Carmona

OBRA DE ARTE

Como mencionei antes, a obra de arte pode vir antes e servir como inspiração e base para a criação de design de ambientes, mas o mais comum é procurar uma obra com a qual a(s) pessoa(s) que moram no lugar tenha de alguma maneira uma ligação com ela, seja uma emoção ou uma lembrança, seja gostar de admirá-la e que complete e harmonize o ambiente. O que acho importante é que sua escolha não seja tão aleatória, digo no sentido plástico, que ao adquiri-la haja uma interação e que não seja apenas uma indicação profissional.

Nesta sala de jantar a obra de Marco Radice poderia, sem dúvida, com eu disse no começo do post, ter sido uma inspiração. A sua forma abstrata aliada às suas cores remetem a quase tudo que compõe este ambiente.

Vou mostrar algumas telas de artistas brasileiros que também usavam o abstracinismo para expressar seus ideias, sentimentos e emoções e quem sabe viram inspirações para vocês .

Arte: 1. Ivan Serpa (1923 – 1973) – Fonte MAC-USPl 2. Hélio Oiticica – 1956

ILUMINAÇÃO

PENDENTES

Tirando partido do pé-direito alto os pendentes sobre a mesa fazem um jogo, foram instalados com alturas diferentes e em uma altura maior do que geralmente se coloca os pendentes sobre uma mesa.

Pendentes : 1. Bright Moon – Jonas Hoejgaard l 2. Matrioshka – Stone Designs l 3. Luminária Corda – Guilherme Wentz – Decameron Design

Acredito que ao definir uma arquitetura de interiores, seja importante saber ou tentar descobrir o que nos agrada aos olhos, o que ou quais coisas, cores, lugares e saber um pouquinho mais sobre arquitetura de interiores e artes, como por exemplo, quais os estilos, artista ou mesmo imagens trazem algum tipo de satisfação e de até mesmo desejar algo parecido para ter em casa e/ou morar.

Alguns podem ter visto esta cena e não terem apreciado, outros podem ter tido curiosidade de saber mais sobre o que a compôs , enfim milhares de interpretações e reações.

Mas esta é a ideia do Atrás da Cena, mostrar ao menos um pouco do que está intrínseco na imagem e sob minha observação, tentar descrevê-la no intuito de ajudá-los a saber o que fazer com tantas informações sobre design de ambientes que são apresentadas das mais diversas formas.

Neste projeto do studio de arquitetura A. Marcante / A. Testa para um apartamento que foi inteiramente reformado em Turin, Itália, escolhi apenas a sala de jantar por ter elementos muito marcantes como a tela de Mario Radice e a geometria feita através da estrutura metálica na cor preta juntamente com cores que remetem a época modernista.

Tentei mostrar que através de uma referência se desenvolvem design de ambientes, sejam eles residenciais ou comerciais.

Se quiserem mais referências que os ajudem a se inspirar fiquem de olho aqui no blog ou entrem em contato comigo, terei o maior prazer em ajudar. 🙂

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