Um Refúgio nos Hamptons com decoração de casa personalizada

Foto: Erik Melvin via Atelier Dore

O refúgio nos Hamptons de Anthony Sperduti, diretor de arte da agência Partners & Spade, NYC, possui muito daquilo que acredito de como uma decoração de casa deva ser. A casa é pessoal, tem história em cada peça adquirida, tem o gosto do dono e do designer, tem a arte que o emociona e a arte que ele mesmo cria, tem uma fusão de sentimentos e sensações nos seus ambientes, tudo isto aliado ao design e a arte contemporânea.

Escolhi a sala de jantar da casa para ver junto com vocês o que há atras da cena deste ambiente que “fala” muito através da sua arquitetura de interiores com as suas cores, móveis e objetos  tornando-o  aconchegante e vibrante, ao mesmo tempo.

Vamos lá?!

CORES

A grande estrela da cena que dá todo o colorido de forma inusitada é o papel de parede criado pela designer Naomi Clark da Fort Markers. O papel foi criado exclusivamente para esta casa e o desenho surgiu de um tecido que Naomi fez para a loja Boerum House, Brooklyn, NY, cliente da agência Partners & Spade.

Além das cores, as formas das pinceladas são harmônicas e a sensação é que um artista passou ali e saiu colorindo tudo. O que não deixa de ser verdade (risos)!

Agora notem a cores das portas. Elas foram pintadas em tons de azuis diferentes e apesar de interromperem o desenho do papel de parede parecem fazer parte dele, ao mesmo tempo.

Para nao deixar ninguém decepcionado por não poder encontrar, talvez, um papel de parede assim com este mesmo conceito de grafia, eu separei cores de tintas para que possam , de repente, tê-las como referência de combinação, de paleta de cores usada para esta sala de jantar, mais que autêntica. 😉

Foto: Brian W. Ferry via Sight Unseen

Cores portas: 1.Calyposo SW6950 l 2.Café verde SW6482 – Sherwin Williams

Paleta de cores: 1.Daisy SW6910 l 2.Dark Night SW6237 – Sherwin Williams l 3.Bosphorus SW6503 l 4.Azul Oceano 25 l 5.Garden Grove SW6445

MATERIAIS

MADEIRA

O piso é em tábua corrida de madeira, material que por si dá uma sensação mais quente e de aconchego ao ambiente.  Além disto o material valorizou o design da mesa com o tampo em mármore branco e pé em aço inox. Sobre seu design, falo dele logo mais.

Separei como costumo mostrar, duas opções de piso em madeira que aliás acho bem interessante usá-lo em decoração de casa de praia, apesar da primeira ideia que passa na mente ser o de usar um piso frio pois acho que a tábua corrida como a usada nesta sala ou mesmo uma com acabamento mais rústico, como as de demolição, permitem que o material frio seja usado, por exemplo, no tampo da mesa de jantar.

O importante é sair dosando estes pequenos/grandes contrastes, quer sejam de material, quer sejam em outros detalhes como cores e design do mobiliário para que um valorize o outro e formem um ambiente que sintamos vontade de ficar, que nos atrai o olhar e que proporciona boas sensações.

1.Mármore Carrara l 2. Assoalho Ipê – Pau Pau l 3.Assoalho Cumaru – Indusparquet

MÓVEIS

MESA

Esta mesa é um clássico do design moderno e vou até contar um pouquinho sobre sua historia. Ela foi desenhada por Charles e Ray Eames, um casal de designers norte-americanos, em 1964 de forma que a mesma estrutura modulada pode comportar tampos de diferentes formas e dimensões. Apenas para acrescentar, o trabalho deste casal foi de grande contribuição para o desenvolvimento do design e da arquitetura do século XX. Suas pecas de mobiliário  são ícones do design ate hoje e Herman Miller é a fabricante oficial dos moveis desenhados pelo casal. No Brasil a marca é representada pela Novo Ambiente e Atec.

Como mencionei antes o material do tampo, o mármore, foi escolhido para a mesa de forma que ela contrasta com a madeira do piso e das cadeiras, favorecendo assim que o desenho da mesa se destaque, o que é mais do que justo!

1. Mesa Saarinen oval, Saarinen l 2. Mesa oval, Knoll

CADEIRAS

As cadeiras com sua estrutura em madeira parecem fazer parte do piso porem o seu assento é feito de uma trama de fibra natural suavizando seu desenho e ao mesmo tempo usando um material diferente.

Seu desenho lembra muito o desenho das cadeiras de design dinamarquês e mais ainda as cadeiras desenhadas por Hans Wegner, designer cujas formas orgânicas e funcionais são características do seu trabalho. Desenhou mais de 500 pecas de mobiliário e alguns delas viraram ícones e são produzidas até hoje.

Para ele, Hans Wegner, uma cadeira tinha que ser bonita de todos os ângulos , costas e assento se fundido na forma.

1.Cadeira CH23 2. Cadeira W2 l Cadeira Wishbone – todas Hans Wegner

Foto: Brian W. Ferry via Sight Unseen

A imagem principal deste post eu vi no site de Garance Dore, Atelier Dore, e me chamou atenção principalmente por ser uma sala de jantar de casa de praia (cottage na linguagem americana) cuja arquitetura de interiores poderia ser, muito bem, de uma casa ou apartamento na cidade, pois o uso de arte contemporânea (peças e fotografias) e peças de mobiliário ícones do design de móveis do século XX a deixam com esta versatilidade de contextualização de lugar.

Além disto, como falei antes, gosto particularmente dela por sua decoração usar claramente itens (materiais, móveis e arte) que o proprietário se identifica, eles não estão ali por um simples desejo do designer, eles estão em harmonia com tudo que formou o ambiente, no caso da sala de jantar e com a personalidade do seu dono.

Em um resumo bem resumido (risos) não é a toa que ao olhar a imagem da sala de jantar, mesmo com toda a profusão de cores e dos desenhos de suas paredes, a sensação que se tem é de harmonia e de aconchego.

Cada um de nós tem algo que já viu ou algo que fez parte de uma historia que resgatando lá na memória pode se tornar uma grande referência para conceituar o projeto de arquitetura de interiores da casa que moramos.

Experimente pensar o que te faz sorrir ao lembrar, que imagem ou talvez até o que já usou como artificio do seu trabalho que gostaria de manter presente não apenas na memória mas sim como parte do ambiente que vive.

Feliz ano novo e até o próximo post! 🙂

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